ACESSO RESTRITO:
AINDA NÃO TEM ACESSO? CLIQUE AQUI

Cada vez mais um número maior de pessoas estão falando mais de uma língua e ser bilíngue ou multilíngue. Será que isso ajuda ou atrapalha? 

 

 

Oui! I Speak Português!

 

Cada vez mais um número maior de pessoas estão falando mais de uma língua e ser bilíngue ou multilíngue, indiscutivelmente, traz vantagens sociais, cognitivas, educacionais e linguísticas.  Nesse contexto uma das grandes vantagens é apresentar uma melhor percepção auditiva, melhor funcionamento linguístico-cognitivo e melhor função executiva, a qual pode ser definida como um processo mental que nos permite planejar, focar atenção, lembras instruções e julgar múltiplas tarefas sucessivamente (Kovelman et al 2008, Reder et al., 2013). De acordo com o Laboratório de desenvolvimento infantil de Harvard (2015) a integridade da função executiva é crucial para o bom aprendizado e para o desenvolvimento.

 

Embora seja inquestionável o benefício de falar mais de uma língua, o processo envolvido na aquisição de duas os mais línguas não é simples e, para as crianças, pode não ser uma tarefa fácil,  podendo gerar algumas dúvidas para suas famílias: Se meu filho desenvolver uma segunda língua isso irá interferir no aprendizado da primeira? Minha filha será capaz de aprender duas línguas? Qual a melhor idade para que meu filho aprender a falar duas línguas?

 

De uma forma geral (e completamente simplista) os estudos atuais apontam que falar mais que uma língua é extremamente benéfico e quanto mais precoce for essa aquisição maior o efeito positivo no funcionamento cerebral (Noris, G. 2012). Para o desenvolvimento da função executiva e das percepção auditiva a idade de aquisição parece não exercer um impacto tão determinante. Aprender é positivo em qualquer idade. Mas para quem procura uma resposta,  as pesquisas tendem a referenciar que aprender uma língua até nos primeiro anos de vida é o ideal. Até os sete anos é melhor  que entre os oito aos doze, que por sua vez é melhor que na idade adulta.  Mas isso a gente já imaginava, né?

 

Outro aspecto fundamental para o desenvolvimento de um bilíngue é a língua falada em casa, pela família.  As crianças que compartilham em casa a mesma língua falada na escola apresentam melhores desempenho em tarefas de leitura e de escrita. Ou seja, a língua falada em casa interfere significativamente nas habilidades escolares da criança. Portanto, se queremos que nossos filhos sejam bilíngues, devemos - de fato - inserir essas línguas em nossas atividades diárias. Pais bilíngues interferem positivamente no desenvolvimento linguístico de seus filhos, pois compartilham plenamente a comunicação.

 

Os adultos podem facilitar o desenvolvimento das habilidades linguísticas das crianças estabelecendo rotinas comunicativas, modelando seus comportamentos sociais, apoiando seus relacionamentos e propondo atividades que estimulem a comunicação: linguagem, fala e audição. Para as crianças pequenas as brincadeiras com músicas, artes, interação de faz de conta são bastante significativas. O adulto pode providenciar um conjunto de brinquedos e permitir com que a criança desenvolva sua própria brincadeira.  Alguns brinquedos podem facilitar essa interação.  A fazendinha  pode estimular o uso de verbos de ações, proposições, e auxiliar a expansão de vocabulário. Os blocos coloridos,  de madeira ou de borracha, podem auxiliar na troca de turno, nos conceitos semânticos básicos como alto, baixo, pequeno, grande, mais, menos, e nas interações sociais. Um com conjunto de família pode possibilitar uma ótima atividade de faz de conta com a réplica de experiências diárias.  O senhor cabeça de batata é outra excelente ferramenta. Ajuda a desenvolver vocabulário e explorar emoções e partes do corpo. Por fim, uma bandinha é uma excelente aquisição e permite o aprendizado de ritmos, musiquinhas e rimas, importantíssimas para o desenvolvimento.  As crianças maiores já irão se beneficiar de atividades como jogos de tabuleiro que aumentam a flexibilidade cognitiva  (cara a cara,  banco imobiliário guess who, monopoly) e atividades que requerem controle atencional como jogos de adivinhação. As atividades tecnológicas são bem vindas. Mas obviamente, se utilizadas com sabedoria, afinal, o que se deseja aqui é a estimulação da comunicação, o que impreterivelmente, ocorre por meio da interação entre pessoas.

 

 

Exemplo de brinquedos que podem ser utilizados como ferramentas para maximizar a interação comunicativa e o desenvolvimento da linguagem e da audição de crianças pequenas. 

 

 
Campos marcados com * são obrigatórios.