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Pesquisas realizadas com musicistas e não musicistas utilizaram como instrumento  o  Potencial evocado com estímulo de fala (PEATE–FFR), que avalia de forma objetiva e com precisão como os sons verbais são codificados no sistema nervoso auditivo central. Os resultados demonstram  que os musicistas, principalmente os que iniciaram  treinamento musical ainda criança, tem peculiaridades nas  habilidades auditivas e linguísticas.

 

Isto ocorre devido a  capacidade de plasticidade neural, que  acarreta  melhora significativa nas estruturas e vias auditivas.

 

O treinamento musical a longo prazo parece aprimorar a capacidade de detecção de pequenas diferenças entre as frequências, característica fundamental para o trabalho dos músicos que envolvem a melodia, a harmonia e os acordes musicais.

 

Verificou-se nestes estudos que mesmo muito pequenas, as crianças que se submetem a treinamento musical sistemático já tem as habilidades de  processamento auditivo central estimuladas e já distinguem as sílabas em menor tempo e com maior precisão e isso acontece mesmo quando há ruído de fundo.

 

As pesquisas também mostram que estas crianças tendem a serem bons ouvintes e leitores e com melhores condições de aprendizado em ambientes escolares. 

 

O treino musical proporciona ainda, melhora na memória, nos processos cognitivos e no controle das emoções.

 

E o que é muito interessante é que os benefícios provocados pelo treino musical são duradouros, e nos idosos observa-se uma demora maior na degradação das vias do sistema nervoso auditivo central. Mesmo na presença de algum tipo de perda auditiva esse aprimoramento se mantém.

 

Importante ressaltar que todos os benefícios citados aqui estão vinculados a um treinamento sistemático na aprendizagem de um instrumento musical, ou seja, o mesmo deve ocorrer de duas a três vezes por semana durante um longo período.

 

Sabemos que em muitos países aprender a tocar um instrumento faz parte do ensino formal o que é sem dúvida importante no desenvolvimento das funções auditivas e cognitivas. Mas enquanto isso não acontece no Brasil, vamos estimular nossas crianças a aprender a tocar um instrumento.

 

* Trabalho de Conclusão de Curso do programa de Especialização em Processamento Auditivo Central da ESAMAZ. Autora: Fga. Madel Valle Orientação: Fga Doutoranda Milaine Dominici Sanfins*

 

Referências: 

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MUSACCHIA, G.; STRAIT, D.; KRAUS, N. Relationships between behavior, brainstem and cortical encoding of seen and heard speech in musicians and non-musicians. Hear Res, v. 241, n. 1-2, p. 34-42, Jul 2008. ISSN 0378-5955. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18562137

 

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PARBERY-CLARK, A.; ANDERSON, S.; KRAUS, N. Musicians change their tune: how hearing loss alters the neural code. Hear Res, v. 302, p. 121-31, Aug 2013. ISSN 1878-5891. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23566981 >.

 

SANFINS, M. D.; COLELLA-SANTOS, M. F. A review of the clinical applicability of speech-evoked auditory brainstem responses. Journal of Hearing Science, v. 6, n. 1,  2016.  

 

STRAIT, D. L.  et al. Musicians' enhanced neural differentiation of speech sounds arises early in life: developmental evidence from ages 3 to 30. Cereb Cortex, v. 24, n. 9, p. 2512-21, Sep 2014. ISSN 1460-2199. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23599166

 

 

WEISS, M. W.; BIDELMAN, G. M. Listening to the brainstem: musicianship enhances intelligibility of subcortical representations for speech. J Neurosci, v. 35, n. 4, p. 1687-91, Jan 2015. ISSN 1529-2401. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25632143 >.

 

 
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