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A convite da AudiçãonaCriança a fonoaudióloga Mestre Aline Cibian  escreve para nós contando sobre o uso do questionário Fisher para gerenciamento do Distúrbio do Processamento Auditivo Central e disponibiliza este questionário, fruto de seu trabalho de Mestrado, para que possamos usá-lo em nossa prática clínica.  Seu trabalho foi orientado pela fonoaudióloga Dra Liliane Desgualdo Pereira e publicado por ambas profissionais recentemente no periódico científico Distúrbios da Comunicação (Set. 2015). Estamos  muito felizes em dividir com vocês essa matéria. A leitura é imperdível!

 

Para responder a essa pergunta, conversamos com a Dra. Tanit Ganz Sanchez médica otorrinolaringologista e especialista em zumbido, hiperacusia e misofonia do Instituto Ganz Sanchez de Otorrinolaringologia. Ficou curioso?

No artigo Assessing Auditory Processing Abilities in Typically Developing School-Aged Children publicado pela Journal of American Academy of Audiology de fevereiro de 2016 Mc Dermontt et al fazem uma revisão bibliográfica bastante abrangente sobre os critérios utilizados para a avaliação e diagnóstico do distúrbio do processamento auditivo em crianças na idade escolar com desenvolvimento típico.  Os autores iniciam o texto afirmando que, conforme indicado pela AAA (2010), o Distúrbio do Processamento Auditivo somente pode ser estabelecido pelo profissional audiologista (lembrando que no nosso país por fonoaudiólogo!) treinado e educado na área. Em caso de suspeita de co-morbidade outros profissionais, como fonoaudiólogos especialistas em linguagem, psicólogos, pediatras e outros profissionais, podem e devem auxiliar no diagnóstico diferencial por meio da realização de exames complementares. Ainda, Dermontt et al alertam que ao invés de buscarmos uma definição universal para esse complexo distúrbio, o ênfase do diagnóstico deve ser dado no quanto estamos conseguindo obter de informação de como essa criança está lidando com as tarefas diárias e com as dificuldades auditivas da vida real: quais são seus pontos positivos e negativos.  Dessa forma. recomenda-se que a escolha dos testes para avaliação do processamento auditivo seja selecionada de acordo com a individualidade da criança e seja dependente da sua história, do relato da família e do da escola.  Testes de apresentação auditiva diferente (dicóticos, temporais, monoaurais e de interaçao binaural)  e de categoria diferente (verbais ou não verbais) são importantes e devem ser administrados conscientemente e cautelosamente: Eles auxiliam no diagnóstico diferencial e ajudam a determinar a presença de um distúrbio do processamento auditivo ou de outros transtornos de base linguística. Para finalizar os autores salientam que independente da bateria selecionada faz-se crucial o uso de dados normativos para a comparação dos resultados. Sem dúvida uma boa leitura. MCDERMONTT, E.; SMART, J. BOIANO, J.;BRAGG, L.; COLLON, T.; HANSON, E.; EMANUAL, D; KELLY, A,; Assessing Auditory Processing Abilities in Typically Developing School-Age Children. J Am Acad Audiol 27:72-84 (2016).

 Os modelos teóricos organizam a memória em três grandes unidades: memória sensorial, memória a curto prazo e memória a longo prazo, sendo esta essa última constituída pela memória declarativa, ou explícita e a memória não- declarativa ou implícita (Carneiro, 2008). Para que a informação seja transferida para a memória longo prazo e o aprendizado seja internalizado,  a memória depende de um sistema de estocagem transitório denominado memória de trabalho que tem como tarefa  gerenciar, manipular e organizar a informação desenhada na memória  (Cowan, 2008). Ainda, a memória de trabalho inclui subsistemas que armazenam e manipulam informações visuais e auditivas bem como um sistema central executivo que coordena esses subsistemas  (Mandler, 2013). Estudos indicam relação direta entre a integridade da memória de trabalho e o desenvolvimento linguístico e neurocognitivo (Junior & Melo, 2011) e sua falha pode estar ligada com dificuldade nas áreas de decodificação e compreensão na leitura compreensão, desenvolvimento linguístico, ordenação de sequência dentre outros. Conway, 2008).  

Desta forma, as dificuldades de aprendizado enfrentadas por inúmeras crianças podem estar associadas à baixa capacidade de funcionamento da memória operacional. Conforme refere  Gathercole & Alloway (2007) crianças com distúrbio de processamento auditivo podem apresentar essa característica  em seu comportamento.  O quadro a seguir ilustra a diferença entre o desenvolvimento da memória operacional  típico e atípico em crianças na idade entre 4 e 15 anos. O desenvolvimento típico da memória operacional  podem ser ilustrado pela linha sólida. A pontuação de uma criança com baixa capacidade de memória operacional está representada pela linha pontilhada. As crianças com desenvolvimento típico apresentam significativamente melhor capacidade de armazenamento de informação quando comparado com as demais crianças.

 

Fonte: Gathercole,S. & Alloway, T. 2007   

 

Incluir atividades que promovam o desenvolvimento da memória auditiva e da memória operacional é um importante passo para o trabalho de reabilitação dos transtornos do aprendizado e a compreender  a magnitude  de seu processo e a correlação com outros transtornos, tais como o processamento da informação auditiva, é fundamental para o desenvolvimento o gerenciamento adequado de crianças com queixa de desenvolvimento escolar. 

 

 

 

 

 
 
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